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E o direito dos outros?

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Originalmente postei esse texto como comentário nesse post: http://allyssonteotonio.com.br/?p=322#comment-19

E a discussão está relacionada a essa decisão do Secretário de Cultura da Paraíba, Chico César: http://bit.ly/fUdzLM

Resolvi postar aqui também pra ficar registrado.

 

Olha, eu odeio o chamado ‘forró plástico’ mas não posso negar que grande parte da população do estado gosta. E, sendo cidadãos, tem também que ser considerados nas decisões do governo.

Apesar de não gostarmos desse tipo de música isso faz parte de nossa cultura, infelizmente. Assim como nós julgamos um tipo de música melhor, essa é a música que uma parte da população julga melhor. Inclusive uma parcela muito maior do que a nossa parcela dos que não gostam do ‘forró plástico’ (afinal dá mais gente num show de Aviões ou de Chico César?). Por que eles não teriam também o direito de usufruir do que consideram cultura? Só se eles pagarem? E quem não tem condições de pagar? Não é cidadão? Ou não tem direito porque não tem o ‘bom gosto’?

Essas músicas que o Allysson citou são preconceituosas, machistas, etc.? Sim, são! Todas as músicas do ‘forró plástico’ são? Lógico que não! Não sejamos preconceituosos e falaciosos de afirmar uma coisa sobre a qual não temos nem conhecimento. Aviões cobra 100 mil de cachê? Sinceramente não sei mas deve ser bem alto. Todas as bandas ‘forró plástico’ cobram valor equivalente? Claro que não. Pouco dinheiro não é justificativa para essa decisão de excluir parte da população do São João do estado.

O governo acerta ao investir na cultura que considera valiosa em programas como o circuito das praças, por exemplo. Divulga quem não tem oportunidade e etc. Mas o São João é uma festa do povo. Todo o povo tem o direito de se divertir. Não só aqueles que o governo considera como adeptos do ‘bom gosto’.

Abraços

 

Uma reflexão sobre o movimento ateísta

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Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens, os quatro maiores expoentes do ateísmo atualmente, travam uma espécie de debate informal onde discutem a militância dos ateístas, os resultados alcançados até hoje, o perigo das religiões, se realmente queremos o mundo livre das igrejas e o que pode ser feito pra incentivar a reflexão crítica nas pessoas e diminuir a influência das religiões na sociedade.

Se você é capaz de pensar com a própria cabeça recomendo que assista o vídeo e reflita sobre as questões levantadas ali. Se você é uma daquelas pessoas incapazes de uma reflexão ou discussão poupe seu tempo. Invista num jogo de paciência ou numa boa passeada pela globo.com.

O lado bom da campanha religiosa

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No final do primeiro turno e durante todo o segundo turno das eleições deste ano, tanto em âmbito nacional como aqui na Paraíba, a campanha religiosa tem tomado conta dos noticiários, horários eleitorais e da internet. Mas vale destacar que esse fenômeno não é exclusividade dos brasileiros. Nos Estados Unidos, por exemplo, a situação é muito parecida. Os candidatos ostentam a sua religiosidade (mesmo que apenas temporária, em virtude das eleições) para não perder votos por causa do preconceito em um país predominantemente cristão. Comparo com os EUA pois posso mostrar alguns dados de estudos realizados por lá e as conclusões alcançadas servem para reflexão também para nós do Brasil.

Pois bem, convido você a assistir a seguinte palestra TED de Richard Dawkins (tem legendas em português do Brasil disponíveis). A palestra é mais abrangente do que o tema deste post, a campanha religiosa, mas em determinado momento ela tangencia este tema e os dados apresentados por Dawkins assim como as questões que ele levanta são interessantíssimas. Recomendo fortíssimamente que assista ao vídeo todo.

Dawkins mostra que a maioria esmagadora dos estudos que relacionam religiosidade com nível intelectual apontam para uma relação inversa entre eles, ou seja, em geral quanto maior o nível intelectual menor a chance do indivíduo ser religioso. Um outro estudo, realizado em 1998 por Larson e Witham, questionou o seleto grupo de cientistas que faziam parte da National Academy of Sciences. O resultado foi:

7% declararam-se teístas (acreditavam na existência de um deus ou força superior)
20% declararam-se agnósticos
73% declararam-se ateus

Resultado que corrobora os estudos anteriores, que apontam para uma relação inversamente proporcional entre religiosidade e intelecto. Mas ainda assim, mesmo os maiores estudiosos da sociedade apontando para esse posicionamento, essa não é uma visão aceita dentro da sociedade. Aquele que se mostra ateu é visto como alguém sem moral, sem princípios, indigno de confiança. Tudo fruto única e exclusivamente do preconceito. Por isso candidato nenhum pode declarar-se ateu. No brilhante discurso de Dawkins, ele conclui: “Se estou certo, os mais altos cargos políticos do maior país do mundo são barrados para as pessoas mais qualificadas, a elite intelectual. A menos que eles estejam dispostos a mentir sobre suas crenças. Colocando de forma direta, as oportunidades políticas americanas são fortemente contrárias àqueles que são simultanemaente inteligentes e honestos.”

Vale a reflexão. No Brasil é diferente? Isso está certo? Precisa mudar? Como mudar? A única forma de mudar é vencendo o preconceito. Pra vencer o preconceito temos que nos mostrar à sociedade. A melhor forma de uma pessoa que acha que um ateu é um homem sem princípios, sem escrúpulos, sem moral e ética, mudar de opinião é saber que aquele professor que ela tanto admira por suas atitudes é ateu. É saber que aquele amigo que ela tanto confia é ateu. É ver que os ateus estão por aí e que são pessoas boas. Não são comedores de criancinhas.

E é justamente aí que aparece o lado positivo da campanha religiosa. Diante de tanta asneira sendo vomitada na nossa frente, tantas declarações estapafúrdias e repulsivas, alguns ateus começaram a entender que a chave para acabar com o preconceito é sair do armário. Parabéns a neurocientista Suzana Herculano-Houzel que publicou em seu site que é atéia e se sente descriminada e com isso motivou a publicação deste post. Apareçam, ateus. Vocês são bem vindos.

Zeitgeist

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Ampliando um pouco a discussão do post anterior recomendo que assista o vídeo abaixo (já está com legendas em português). Zeitgeist apresenta uma reflexão sobre a nossa sociedade escancarando as bases sobre as quais ela é construída e as ferramentas utilizadas para a manutenção dessa ordem. Assista, pense, mude.

Comunicação e liberdade no Brasil

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…Liberdade, essa palavra

que o sonho humano alimenta

que não há ninguém que explique

e ninguém que não entenda…

Quando o expectador ouve essas palavras de Cecília Meireles da boca do narrador de Levante sua voz sem dúvida alguma se sente (novamente) no excelente Ilha das Flores. Confesso que a mim soou estranho esse artifício de seguir uma linha tão semelhante à do curta de Jorge Furtado, inclusive com trechos exatamente iguais. Fiquei com a impressão de algo como “Da mesma série de…”.

Mas enfim, independente disso, o curta vale a pena pela importância do assunto abordado. Pedro Ekman fala sobre o direito à comunicação e mostra como no Brasil o controle sobre a comunicação de massa é exercido por um determinado grupo de famílias, há um bom tempo. Se esse assunto é novo ou desconhecido pra você não deixe de assistir aos vídeos abaixo.


Intervozes – Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Não pude deixar de lembrar também de um vídeo da BBC que vi no Youtube há um tempo atrás mostrando especificamente o papel da Rede Globo na história recente do Brasil. Não deixe de assistir! Escolha a pílula vermelha! : )




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