política
E o direito dos outros?
3Originalmente postei esse texto como comentário nesse post: http://allyssonteotonio.com.br/?p=322#comment-19
E a discussão está relacionada a essa decisão do Secretário de Cultura da Paraíba, Chico César: http://bit.ly/fUdzLM
Resolvi postar aqui também pra ficar registrado.
Olha, eu odeio o chamado ‘forró plástico’ mas não posso negar que grande parte da população do estado gosta. E, sendo cidadãos, tem também que ser considerados nas decisões do governo.
Apesar de não gostarmos desse tipo de música isso faz parte de nossa cultura, infelizmente. Assim como nós julgamos um tipo de música melhor, essa é a música que uma parte da população julga melhor. Inclusive uma parcela muito maior do que a nossa parcela dos que não gostam do ‘forró plástico’ (afinal dá mais gente num show de Aviões ou de Chico César?). Por que eles não teriam também o direito de usufruir do que consideram cultura? Só se eles pagarem? E quem não tem condições de pagar? Não é cidadão? Ou não tem direito porque não tem o ‘bom gosto’?
Essas músicas que o Allysson citou são preconceituosas, machistas, etc.? Sim, são! Todas as músicas do ‘forró plástico’ são? Lógico que não! Não sejamos preconceituosos e falaciosos de afirmar uma coisa sobre a qual não temos nem conhecimento. Aviões cobra 100 mil de cachê? Sinceramente não sei mas deve ser bem alto. Todas as bandas ‘forró plástico’ cobram valor equivalente? Claro que não. Pouco dinheiro não é justificativa para essa decisão de excluir parte da população do São João do estado.
O governo acerta ao investir na cultura que considera valiosa em programas como o circuito das praças, por exemplo. Divulga quem não tem oportunidade e etc. Mas o São João é uma festa do povo. Todo o povo tem o direito de se divertir. Não só aqueles que o governo considera como adeptos do ‘bom gosto’.
Abraços
O lado bom da campanha religiosa
3No final do primeiro turno e durante todo o segundo turno das eleições deste ano, tanto em âmbito nacional como aqui na Paraíba, a campanha religiosa tem tomado conta dos noticiários, horários eleitorais e da internet. Mas vale destacar que esse fenômeno não é exclusividade dos brasileiros. Nos Estados Unidos, por exemplo, a situação é muito parecida. Os candidatos ostentam a sua religiosidade (mesmo que apenas temporária, em virtude das eleições) para não perder votos por causa do preconceito em um país predominantemente cristão. Comparo com os EUA pois posso mostrar alguns dados de estudos realizados por lá e as conclusões alcançadas servem para reflexão também para nós do Brasil.
Pois bem, convido você a assistir a seguinte palestra TED de Richard Dawkins (tem legendas em português do Brasil disponíveis). A palestra é mais abrangente do que o tema deste post, a campanha religiosa, mas em determinado momento ela tangencia este tema e os dados apresentados por Dawkins assim como as questões que ele levanta são interessantíssimas. Recomendo fortíssimamente que assista ao vídeo todo.
Dawkins mostra que a maioria esmagadora dos estudos que relacionam religiosidade com nível intelectual apontam para uma relação inversa entre eles, ou seja, em geral quanto maior o nível intelectual menor a chance do indivíduo ser religioso. Um outro estudo, realizado em 1998 por Larson e Witham, questionou o seleto grupo de cientistas que faziam parte da National Academy of Sciences. O resultado foi:
7% declararam-se teístas (acreditavam na existência de um deus ou força superior)
20% declararam-se agnósticos
73% declararam-se ateus
Resultado que corrobora os estudos anteriores, que apontam para uma relação inversamente proporcional entre religiosidade e intelecto. Mas ainda assim, mesmo os maiores estudiosos da sociedade apontando para esse posicionamento, essa não é uma visão aceita dentro da sociedade. Aquele que se mostra ateu é visto como alguém sem moral, sem princípios, indigno de confiança. Tudo fruto única e exclusivamente do preconceito. Por isso candidato nenhum pode declarar-se ateu. No brilhante discurso de Dawkins, ele conclui: “Se estou certo, os mais altos cargos políticos do maior país do mundo são barrados para as pessoas mais qualificadas, a elite intelectual. A menos que eles estejam dispostos a mentir sobre suas crenças. Colocando de forma direta, as oportunidades políticas americanas são fortemente contrárias àqueles que são simultanemaente inteligentes e honestos.”
Vale a reflexão. No Brasil é diferente? Isso está certo? Precisa mudar? Como mudar? A única forma de mudar é vencendo o preconceito. Pra vencer o preconceito temos que nos mostrar à sociedade. A melhor forma de uma pessoa que acha que um ateu é um homem sem princípios, sem escrúpulos, sem moral e ética, mudar de opinião é saber que aquele professor que ela tanto admira por suas atitudes é ateu. É saber que aquele amigo que ela tanto confia é ateu. É ver que os ateus estão por aí e que são pessoas boas. Não são comedores de criancinhas.
E é justamente aí que aparece o lado positivo da campanha religiosa. Diante de tanta asneira sendo vomitada na nossa frente, tantas declarações estapafúrdias e repulsivas, alguns ateus começaram a entender que a chave para acabar com o preconceito é sair do armário. Parabéns a neurocientista Suzana Herculano-Houzel que publicou em seu site que é atéia e se sente descriminada e com isso motivou a publicação deste post. Apareçam, ateus. Vocês são bem vindos.
Filho de peixe peixinho é
1As eleições estão aí. E não sei se eu que não havia observado antes ou se agora a coisa tá ficando mais imoral mesmo. O fato é que, pelo visto, o sujeito que acha que pode conseguir se eleger “um degrau acima” não tem mais a preocupação de não se eleger e ficar sem mandato. Isso porque é bastante que ele lance o seu filho para o cargo que ele ocupava, e os seus eleitores vão eleger o ‘promissor’ da mesma forma. O que foi que o filho fez pra merecer ser eleito? Bom, eles dizem que vão ‘continuar a luta’ mas, especificamente que luta eu não sei. E enquanto isso, outras famílias vão sonhando em serem as próximas a deter o poder aqui na Paraíba, como vem sendo até hoje. Será que um dia conseguiremos evoluir ou passaremos a nossa existência lutando pra tirar uma família do poder, e depois a outra, e depois a outra, e depois a outra…
