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Da esquerda para a direita Mestre Robson, Eu, Mazinho, Açúcar, Luciana, Mola, Tina, Marivan, Mestre Russo, Coquinho (agachado), Barata e Bené

Oficina de Capoeira com o Mestre Russo

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Da esquerda para a direita Mestre Robson, Eu, Mazinho, Açúcar, Luciana, Mola, Tina, Marivan, Mestre Russo, Coquinho (agachado), Barata e Bené

Hoje encerrou-se a Oficina de Capoeira com o Mestre Russo. Foi um prazer imenso ter recebido esse ícone da capoeira na nossa cidade e compartilhar uma semana de muito suor e boa conversa. Vou sentir falta dessa galera super gente fina que fez essa oficina ser o melhor que podia. Espero que o grupo continue se reunindo e que essa seja mais uma iniciativa no sentido de unir a capoeira na Paraíba, independente de grupo ou camisa.

Muito obrigado a Bené por ter organizado esse evento e ao Mestre Russo que aceitou esse desafio.

Até breve! =D

*Para saber mais da história do Mestre Russo vejam o filme O Zelador

O lado bom da campanha religiosa

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No final do primeiro turno e durante todo o segundo turno das eleições deste ano, tanto em âmbito nacional como aqui na Paraíba, a campanha religiosa tem tomado conta dos noticiários, horários eleitorais e da internet. Mas vale destacar que esse fenômeno não é exclusividade dos brasileiros. Nos Estados Unidos, por exemplo, a situação é muito parecida. Os candidatos ostentam a sua religiosidade (mesmo que apenas temporária, em virtude das eleições) para não perder votos por causa do preconceito em um país predominantemente cristão. Comparo com os EUA pois posso mostrar alguns dados de estudos realizados por lá e as conclusões alcançadas servem para reflexão também para nós do Brasil.

Pois bem, convido você a assistir a seguinte palestra TED de Richard Dawkins (tem legendas em português do Brasil disponíveis). A palestra é mais abrangente do que o tema deste post, a campanha religiosa, mas em determinado momento ela tangencia este tema e os dados apresentados por Dawkins assim como as questões que ele levanta são interessantíssimas. Recomendo fortíssimamente que assista ao vídeo todo.

Dawkins mostra que a maioria esmagadora dos estudos que relacionam religiosidade com nível intelectual apontam para uma relação inversa entre eles, ou seja, em geral quanto maior o nível intelectual menor a chance do indivíduo ser religioso. Um outro estudo, realizado em 1998 por Larson e Witham, questionou o seleto grupo de cientistas que faziam parte da National Academy of Sciences. O resultado foi:

7% declararam-se teístas (acreditavam na existência de um deus ou força superior)
20% declararam-se agnósticos
73% declararam-se ateus

Resultado que corrobora os estudos anteriores, que apontam para uma relação inversamente proporcional entre religiosidade e intelecto. Mas ainda assim, mesmo os maiores estudiosos da sociedade apontando para esse posicionamento, essa não é uma visão aceita dentro da sociedade. Aquele que se mostra ateu é visto como alguém sem moral, sem princípios, indigno de confiança. Tudo fruto única e exclusivamente do preconceito. Por isso candidato nenhum pode declarar-se ateu. No brilhante discurso de Dawkins, ele conclui: “Se estou certo, os mais altos cargos políticos do maior país do mundo são barrados para as pessoas mais qualificadas, a elite intelectual. A menos que eles estejam dispostos a mentir sobre suas crenças. Colocando de forma direta, as oportunidades políticas americanas são fortemente contrárias àqueles que são simultanemaente inteligentes e honestos.”

Vale a reflexão. No Brasil é diferente? Isso está certo? Precisa mudar? Como mudar? A única forma de mudar é vencendo o preconceito. Pra vencer o preconceito temos que nos mostrar à sociedade. A melhor forma de uma pessoa que acha que um ateu é um homem sem princípios, sem escrúpulos, sem moral e ética, mudar de opinião é saber que aquele professor que ela tanto admira por suas atitudes é ateu. É saber que aquele amigo que ela tanto confia é ateu. É ver que os ateus estão por aí e que são pessoas boas. Não são comedores de criancinhas.

E é justamente aí que aparece o lado positivo da campanha religiosa. Diante de tanta asneira sendo vomitada na nossa frente, tantas declarações estapafúrdias e repulsivas, alguns ateus começaram a entender que a chave para acabar com o preconceito é sair do armário. Parabéns a neurocientista Suzana Herculano-Houzel que publicou em seu site que é atéia e se sente descriminada e com isso motivou a publicação deste post. Apareçam, ateus. Vocês são bem vindos.

A Folha e o ateísmo militante

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No dia 10 de outubro de 2010 a Folha de São Paulo publicou um artigo escrito por Frei Betto, amplamente reproduzido por sites na internet, em que negava o boato de que Dilma seria atéia e dizia que os torturadores enfrentados por Dilma na ditadura, esses sim praticavam um “ateísmo militante” ao torturar as pessoas.

Imediatamente, enviei o seguinte e-mail à ouvidoria da Folha de São Paulo:

Manifesto em favor do respeito à liberdade de crença

Olá,

Venho manifestar a minha profunda decepção com a Folha de São Paulo que publicou, no dia 10 de outubro de 2010, o artigo “Dilma e a fé cristã” extremamente ofensivo com relação aos ateístas. Sou ateu convicto e feliz com isso e a bem da verdade pratico mais “dos ensinamentos cristãos” do que muitos dos próprios cristãos que do discurso à ação mantém uma boa distância.

Não é de hoje que a Folha vem se mostrando desrespeitosa com as minorias e desejo realmente que essa falta de ética e de honestidade com a própria profissão de vocês se reflita numa queda cada vez maior desse veículo que já tem sua credibilidade afetada por outros mais episódios vergonhosos. E o que mais um veículo de informação tem que valorizar senão a sua credibilidade?

Para minha surpresa hoje recebi a resposta da ombudsman da Folha, Suzana Singer, em que ela não só repete exatamente a mesma coisa dita por Frei Betto (como que explicando pra um tapado que não entendeu), como se realmente não enxergasse nada ofensivo, como também não menciona em momento algum acreditar na necessidade de retratação para com os ateus.

Caro leitor,

recebemos muitas mensagens com críticas ao artigo de frei Betto.

Conversando com ele, que estava partindo para a Itália na semana passada, disse que com a expressão “ateísmo militante” quis se referir às pessoas que violam os “templos de Deus” que seriam os corpos humanos. Assim, os torturadores seriam ateus militantes porque realizavam essa violação, mesmo se dizendo cristãos. Frei Betto diz que respeita quem é ateu, porque negar a existência de Deus, segundo ele, também é uma posição de fé. O que ele não reconhece (nem respeita) é quem tenta desmoralizar as concepções de fé de alguém.

De qualquer modo, as mensagens foram enviadas a ele e à Redação para conhecimento

att

A falta de informações e a abundância de preconceito à respeito dos ateus me surpreende negativamente a cada dia. Parece que a situação só piora. A desinformação e o preconceito só aumentam. E boa parte dessa culpa se deve à veículos como a Folha de São Paulo que veiculam artigos preconceituosos como esse. O restante da culpa é das pessoas sem senso crítico mesmo que leem e absorvem sem interpretar ou questionar. Mesmo um absurdo desses. Indignado, escrevi o e-mail abaixo para Suzana mas cada vez mais perco as esperanças de que, apesar dessa galera, amanhã há de ser outro dia. Parece que é sempre igual. =/

Suzana,

Você não percebe que o que você acaba de repetir é ofensivo para um ateu? Vou lhe explicar direitinho o quê e o porquê. Ateu é aquele que não acredita na existência de um ser divino, de um criador de todas as coisas. Simplesmente isso.

Você pode ser cristã e pode acreditar que fazer o bem ao próximo, por exemplo, é um princípio cristão. Mas fazer o bem ao próximo antes de ser um princípio cristão é um princípio ético e moral, ou seja, pra fazer o bem não precisa ser cristão. Precisa ter ética, moral, princípios, tudo isso independe de ser cristão ou teísta.

Não conhecia a expressão “ateu militante” mas no meu entendimento, e conhecendo o sentido da palavra ‘ateu’ (como destaquei no primeiro parágrafo), imagino que um ateu militante seja aquele que defenda esse princípio: a não existência de deus. Um torturador não é um ateu militante. Um torturador é uma pessoa sem princípios éticos e morais. E ainda mais, um criminoso. E o que você e Frei Betto fizeram foi isso: equiparar ateus a criminosos.

Você é cristã? Como você se sentiria se eu dissesse que católico militante é aquele que queima vivo a todo aquele que não compartilha de suas crenças? Ou que praticar o cristianismo militante é violar, abusando sexualmente, o corpo (o templo sagrado) das criancinhas desprotegidas? Acredito que você não ia se sentir bem, não é? Talvez até desejasse um pedido de desculpas por isso se eu publicasse isso em um veículo de projeção nacional como a Folha de São Paulo.

Vocês estão espalhando o preconceito contra os ateus, inclusive por compartilharem desse preconceito. Eu sou ateu e sigo aquilo que julgo moralmente correto. Não julgo correto disseminar o preconceito e difamar uma categoria. Seja ela qual for. Resta saber o que vocês, cristãos e cheios de sentimentos nobres à frente da Folha de São Paulo, julgam correto.

Um abraço

81? 18!

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Pensando agora não consigo me lembrar de outro modo. E olhe que faço esforço tremendo procurando em cada lembrança distante e recente! Não é que eu tenha apenas uma mesma imagem na mente. Não! Me vem várias imagens à cabeça. Situações diversas. Mas em todas elas ele traz um sorriso estampado no rosto… Desconfio que o sorriso compunha o seu rosto tanto quanto os seus olhos, ou o nariz.

Ano após ano, completava sempre dezoito. Sempre com o sorriso.

Há uns dois anos, quando foi a vez da minha avó Cássia, tirou seu Gol verde da garagem e veio bater aqui em João Pessoa. Imagina!? Enfrentou sozinho o trânsito selvagem do Recife, a BR-101 em obras, e, com toda a dificuldade que as marcas no seu velho Gol indicavam, estava aqui com a gente no momento derradeiro. Sempre com o sorriso. Sempre com dezoito.

Assim foi também há menos de dois meses, na festa dos 90 de tia Áurea. Ficou feliz de saber que agora eu era funcionário público. Elogiou minha mãe, que de todas as filhas de meu avô era, sem dúvida, a mais bonita. Dessa vez, teceu igual elogio à minha irmã. Relembramos a história do tostão achado na rua, que virou alguns côcos, que viraram cocadas, que viraram sustento pra a família ainda quando um meninote. Uma história admirável dentre tantas outras! Registramos também naquela ocasião o quão injustas eram as pessoas  ao compará-lo com Ariano. Sem dúvida alguma ele era muito mais bonito! Demos boas risadas e conversamos a valer na festa. Felizmente. Ele sempre com o sorriso. Sempre com dezoito.

Domingo encontrei com ele novamente. Desta vez não pudemos conversar. Apenas cheguei do lado dele e desejei, ao menos por um dia, enxergar o mundo através daqueles olhos. Ver a beleza que ele via no mundo e que o fazia sorrir ininterruptamente. Foi uma noite longa. Ouvi sobre como tudo tinha sido tão rápido, ouvi outras tantas histórias admiráveis de tio Arnaldo contadas por  Néia, Fred e minha mãe. Com a manhã chegaram mais amigos e parentes. Poucas palavras mesmo se tratando dos Correia Lima. Poucos sorrisos mesmo se tratando dos Lucena. Todos inertes diante do destino que nos aguarda. Mesmo os mais queridos como tio Arnaldo não podem escapar. Por mais que queiramos. Alguns acreditam que foi um presente que a mamãe Lucena recebeu neste domingo. Eu sei que vou lembrar dele sempre. Sempre com o sorriso. Sempre com dezoito.

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