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As Canções

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Ontem fui ao Cinespaço assistir o novo filme do Eduardo Coutinho: As Canções. Tive o conforto de escolher a poltrona que bem entendesse já que até o momento nenhuma pessoa havia comprado ingresso pra aquela sessão. Até o início da película a situação mudou e o número de espectadores dobrou (ou seja, chegou mais uma pessoa).

É bem verdade que o horário da sessão é horrível. 18h pra quem trabalha é muito difícil. Mas ainda assim é de partir o coração ver um filme do mestre Coutinho nessa situação.

A estrutura do documentário é muito simples. Uma cadeira preta sobre um palco com cortinas também pretas. As pessoas entram passando pela cortina, sentam na cadeira e falam sobre ‘A música da sua vida’. Na minha interpretação esse cenário funciona também no sentido de reforçar a importância da música pra a vida daquelas pessoas. Como se no momento em que estivesse cantando aquela música a pessoa de fato se desvencilhasse da escuridão (o negro do cenário). E terminada a canção Coutinho por vezes faz questão de mostrar a pessoa levantando e voltando para as cortinas negras.

Como é característico de seu trabalho, Coutinho consegue extrair histórias tocantes de pessoas que estão o vendo pela primeira vez na vida. A grande maioria das histórias envolvem a perda de alguém querido, sobretudo o amor ‘da vida’. E usando uma frase dita por uma figura do documentário: ‘Como é que você vai lembrar das coisas se não for através da música?’. Diante de situações emblemáticas as pessoas acabam encontrando na música essa ferramenta perfeita para guardar lembranças. E assim como aquelas músicas tem um papel fundamental na vida de cada uma daquelas pessoas participar do documentário também contribui pra uma melhor resolução daquela situação delicada na vida da pessoa, segundo o próprio relato de uma das pessoas que Coutinho deixa pra o final do filme, tornando explícito aquilo que alguém possa ainda não ter percebido a essa altura do documentário.

E a importância do documentário se estende a todos nós. As canções nos mostra que no fim das contas o que marca a sua vida não é o seu trabalho, não é a sua faculdade, não é a quantidade de luxo que você usufrui. O que marca a sua vida são as pessoas. Então é bom você aproveitar o tempo junto de quem você ama ou então é melhor já ir ensaiando a música.

E o direito dos outros?

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Originalmente postei esse texto como comentário nesse post: http://allyssonteotonio.com.br/?p=322#comment-19

E a discussão está relacionada a essa decisão do Secretário de Cultura da Paraíba, Chico César: http://bit.ly/fUdzLM

Resolvi postar aqui também pra ficar registrado.

 

Olha, eu odeio o chamado ‘forró plástico’ mas não posso negar que grande parte da população do estado gosta. E, sendo cidadãos, tem também que ser considerados nas decisões do governo.

Apesar de não gostarmos desse tipo de música isso faz parte de nossa cultura, infelizmente. Assim como nós julgamos um tipo de música melhor, essa é a música que uma parte da população julga melhor. Inclusive uma parcela muito maior do que a nossa parcela dos que não gostam do ‘forró plástico’ (afinal dá mais gente num show de Aviões ou de Chico César?). Por que eles não teriam também o direito de usufruir do que consideram cultura? Só se eles pagarem? E quem não tem condições de pagar? Não é cidadão? Ou não tem direito porque não tem o ‘bom gosto’?

Essas músicas que o Allysson citou são preconceituosas, machistas, etc.? Sim, são! Todas as músicas do ‘forró plástico’ são? Lógico que não! Não sejamos preconceituosos e falaciosos de afirmar uma coisa sobre a qual não temos nem conhecimento. Aviões cobra 100 mil de cachê? Sinceramente não sei mas deve ser bem alto. Todas as bandas ‘forró plástico’ cobram valor equivalente? Claro que não. Pouco dinheiro não é justificativa para essa decisão de excluir parte da população do São João do estado.

O governo acerta ao investir na cultura que considera valiosa em programas como o circuito das praças, por exemplo. Divulga quem não tem oportunidade e etc. Mas o São João é uma festa do povo. Todo o povo tem o direito de se divertir. Não só aqueles que o governo considera como adeptos do ‘bom gosto’.

Abraços

 

Uma reflexão sobre o movimento ateísta

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Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens, os quatro maiores expoentes do ateísmo atualmente, travam uma espécie de debate informal onde discutem a militância dos ateístas, os resultados alcançados até hoje, o perigo das religiões, se realmente queremos o mundo livre das igrejas e o que pode ser feito pra incentivar a reflexão crítica nas pessoas e diminuir a influência das religiões na sociedade.

Se você é capaz de pensar com a própria cabeça recomendo que assista o vídeo e reflita sobre as questões levantadas ali. Se você é uma daquelas pessoas incapazes de uma reflexão ou discussão poupe seu tempo. Invista num jogo de paciência ou numa boa passeada pela globo.com.

‘A’ week

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Um movimento que acredito ser fundamental para a redução do preconceito contra os ateus é a saída do armário, como já mencionei em um post passado. Se as pessoas não sabem que moral e religião são coisas totalmente distintas porque não pensam o bastante à respeito vamos mostrá-las na prática que, mais do que possível, isso é natural e acontece ao seu redor.

Por isso apóio totalmente essa campanha que acabo de tomar conhecimento. ‘A’ week é uma campanha internacional no sentido de mostrar ao mundo que os ateus existem, são muitos e que são pessoas normais. Quem sabe depois de tomar conhecimento de algumas pessoas boas que você conhece e são ateístas você não muda a sua visão? Ou será que o seu preconceito é maior que isso?

O que é scrum – conceitos básicos

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Pensei que essa segunda parte da série não ia sair nunca! A disciplina de Gerência de Configuração e a Papel em Flor bombando nas encomendas tomaram um pouco de tempo mas finalmente está no ar a segunda parte da série sobre Scrum.

Depois de fazer uma pequena introdução sobre metodologias ágeis finalmente vamos focar no Scrum. Vamos conhecer os conceitos básicos do Scrum individualmente e depois entender a forma como eles constituem o processo.

Papéis

Dentro do Scrum podem ser encontrados os seguintes papéis.

Product owner – é o responsável por esclarecer as regras de negócio, elencar e priorizar as funcionalidades desejadas, aceitar/rejeitar o produto e dar o feedback sobre o software produzido. É o cliente do software ou alguém considerado pelo cliente como capaz de responder pelas suas necessidades e pelas regras de negócio associadas.

Scrum Master – é o mais próximo da figura de gerente dentro do processo. Entretanto o Scrum Master não tem a atribuição de delegar tarefas ou de fiscalizar o trabalho de um integrante da equipe, por exemplo, como os gerentes normalmente tem. O time é auto-gerenciável. O Scrum Master atua como facilitador e mediador garantindo que o time seja sempre produtivo e nada interfira no processo de desenvolvimento. Também é o responsável por garantir que as práticas do Scrum sejam seguidas (as reuniões, os artefatos, etc). Quanto maior o nível de maturidade do time menor a importância do Scrum Master.

Scrum Team – o time é um grupo multidisciplinar, de 5 a 9 pessoas, que vai projetar, desenvolver, testar e implantar o software. Como falei anteriormente o time é auto-gerenciável. Não há quem delegue tarefas. Cada pessoa escolhe que tarefa vai assumir dentro do que foi definido para o sprint. Se algum integrante encontra dificuldade em uma tarefa o Scrum Master (ou alguém no grupo que possua conhecimento sobre o domínio em questão no caso de uma dificuldade técnica) deve ajudar. Se algum integrante não está trabalhando com o comprometimento suficiente o grupo deve cobrá-lo. Ou seja, a função de controle não pertence a um gerente e sim ao próprio time como um todo. O time deve escolher a melhor maneira de trabalhar para cumprir os objetivos do projeto. O time tem que estar comprometido com o projeto. Todos ali devem ser porcos.

Artefatos

Product Backlog – uma lista com toda e qualquer funcionalidade (e sua respectiva prioridade) que o projeto possa vir a ter. Pelo que você já conhece de Scrum dá pra perceber que o Product Backlog é mantido pelo Product Owner. O PO pode adicionar ou alterar funcionalidades a qualquer tempo desde que essas funcionalidades não estejam dentro do sprint atual.

Sprint Backlog – contém as funcionalidades do Product Backlog que, baseado na prioridade definida pelo cliente e na complexidade estimada, o time e o PO escolheram para executar no sprint. Quando vão entrar no Sprint Backlog as funcionalidades são quebradas em tarefas específicas que serão implementadas pelo time.

Burn-down chart – é uma forma rápida de visualizar o trabalho restante. Pode haver um para o sprint e um geral para o projeto. Mostra dia a dia o quanto de trabalho já foi ‘queimado’. Com ele você vê facilmente os pontos em que o projeto não rendeu o esperado e pode investigar os motivos e corrigir pra melhorar a produtividade.

Burn-down chart: você pode ver claramente quantos pontos o time vem entregando por iteração. É muito simples notar que no quinto sprint a equipe produziu muito mais que no quarto, por exemplo.

Eventos

Sprint Planning - reunião entre o time e o Product Owner para negociar o que será produzido no sprint. Com base na prioridade definida pelo PO o time vai dividindo as funcionalidades do Product Backlog em tarefas menores e estimando a complexidade dessas tarefas. O PO é fundamental para esclarecer qualquer dúvida à respeito das funcionalidades e do comportamento esperado do sistema pois provavelmente elas vão aparecer enquanto o time está estimando a complexidade das tarefas. Quando o time achar que tem o suficiente pra o sprint para de adicionar coisas ao Sprint Backlog e define o objetivo do sprint. O objetivo deve ser definido em alto nível. Algo como: “O usuário deve ser capaz de realizar uma compra no site” é um exemplo de objetivo para um sprint.

Daily Scrum – todos os dias durante o sprint o time deve se encontrar no mesmo lugar e no mesmo horário (geralmente pela manhã) para fazer o Daily Scrum. A reunião deve durar no máximo 15 minutos e todos ficam de pé. O objetivo da reunião é manter a equipe e o Scrum Master informados de todo o progresso e das dificuldades que possam estar atrasando o desenvolvimento do progresso. Qualquer pessoa pode participar mas só os porcos podem falar. Cada membro deve responder a três perguntas:

  • O que você fez ontem?
  • O que você fará hoje?
  • Existe algum impedimento no seu caminho?

Com isso todo o time tem uma visão completa do progresso do desenvolvimento e os problemas são identificados no máximo em um intervalo de um dia.

Sprint Reviews – uma reunião informal realizada no final de cada sprint. O objetivo é apresentar (e demonstrar o uso se for o caso) do que foi produzido no sprint. Idealmente o time deve ter completado tudo o que foi trazido para o Sprint Backlog mas o fundamental mesmo é que o objetivo do sprint seja alcançado. Qualquer pessoa pode assistir.

Sprint Retrospectives – uma reunião também realizada ao final do sprint. O time reflete sobre a sprint que acabou e procura maneiras de melhorar o processo, se existe alguma coisa que deveriam começar a fazer, alguma coisa que deveriam parar de fazer e o que deveriam continuar fazendo.

 

Bom, com isso você já conhece o Scrum. No próximo post apresentaremos um esquema de como esses eventos e artefatos se relacionam durante o projeto. Até lá.

 

[Editado] Aqui estão todos os links da série O que é Scrum

Parte 1 – Uma visão geral sobre metodologias ágeis

Parte 2 – Conceitos básicos

O que é Scrum – uma visão geral sobre metodologias ágeis

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Como prometido esse é o primeiro post da série sobre Scrum. Achei que seria legal fazer uma introdução sobre metodologias ágeis pra quem ainda não conhece.

Scrum é uma metodologia ágil para gestão de projetos baseada em equipes pequenas e multidisciplinares. Seu nome vem de uma jogada do rúgbi. É uma jogada típica de recomeço de jogo onde os jogadores se unem em torno dessa formação com o objetivo de tomar posse da bola. É preciso que os integrantes do time cooperem entre si de forma que a equipe atue consistentemente como uma força só e alcance o objetivo com que todos estão comprometidos. O criador do Scrum, Jeff Sutherland, pegou emprestado a analogia que os estudiosos Takeuchi e Nonaka haviam utilizado em um artigo publicado na Harvard Business Review onde comparavam a grande eficiência dos grupos multidisciplinares que estudaram com essa jogada no rúgbi. Ao meu ver não poderia ter escolhido nome melhor. =P

Scrum!

Uma visão geral sobre metodologias ágeis

Como uma metodologia ágil, Scrum segue os princípios do manifesto ágil. Portanto, prioriza:

  • Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;
  • Software em funcionamento mais que documentação abrangente;
  • Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;
  • Responder a mudanças mais que seguir um plano.

Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

Eu já trabalhei em um lugar onde gastava X horas produzindo e tinha que gastar 2X h documentando aquilo que tava fazendo. E não era documentação do sistema e muito menos pra o cliente, era documentação pra os gerentes acompanharem o trabalho. Pura burocracia. No Scrum não há um gerente pra lhe mandar fazer alguma coisa ou a quem você tenha que ficar se reportando, nem processos complexos e documentos intermináveis pra preencher. O time é auto-gerenciável e as pessoas são capazes de assumir responsabilidades e se auto-organizar para alcançar a melhor forma de trabalhar.

Software em funcionamento mais que documentação abrangente

Você já escreveu algum documento que ninguém leu? Em uma abordagem tradicional de desenvolvimento de software quanto tempo você passa escrevendo apenas documentação sem escrever uma linha de código? Isso evita que mudanças aconteçam mais na frente? E quando as mudanças acontecem tem que refazer toda a documentação para refletir as mudanças? Não parece produtivo…

Escrever documentação é importante sobretudo quando serve para aumentar a nossa visão sobre aquele projeto mas essa documentação pode ser escrita de outra forma: dentro do seu software. As regras de negócio por exemplo podem estar nas classes de testes. Sua documentação ainda vai existir, você já vai estar fazendo algo concreto e nunca vai ficar desatualizado!

Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos + Responder a mudanças mais que seguir um plano

Em uma abordagem tradicional de software o projeto começa com o levantamento de requisitos. Se o cliente não colocar uma funcionalidade ali (nessa etapa) e quiser colocar mais na frente você (como gerente de projeto) vai aceitar feliz? Não! Vai botar milhões de dificuldades. Isso vai gerar uma solicitação de mudança, uma alteração no contrato e por aí vai. Porque o seu processo não está aberto ao recebimento de mudanças. Resultado? No levantamento de requisitos o cliente vai botar toda e qualquer funcionalidade que ele possa imaginar para aquele projeto. Você vai acabar implementando coisas que podem nem ser usadas. Certo mas pelo menos eu não vou ter mudanças durante o projeto certo? Errado. As mudanças fazem parte do desenvolvimento de um projeto. À medida que o projeto vai se desenvolvendo é que as pessoas vão entendendo como a coisa vai ser (principalmente o cliente) sem contar que durante o desenvolvimento regras de negócios podem ser alteradas, novas tecnologias podem surgir, etc. Então por quê ser inimigo das mudanças? As mudanças são boas. Elas fazem com que seu projeto tome o curso certo e ganhe em vantagem competitiva.

Pra encerrar essa breve visão geral sobre metodologias ágeis, leia os 12 princípios por trás do Manifesto Ágil:

  • Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente através da entrega contínua e adiantada de software com valor agregado;
  • Mudanças nos requisitos são bem-vindas, mesmo tardiamente no desenvolvimento;
  • Processos ágeis tiram vantagem das mudanças visando vantagem competitiva para o cliente;
  • Entregar frequentemente software funcionando, de poucas semanas a poucos meses, com preferência à menor escala de tempo;
  • Pessoas de negócio e desenvolvedores devem trabalhar diariamente em conjunto por todo o projeto;
  • Construa projetos em torno de indivíduos motivados. Dê a eles o ambiente e o suporte necessário e confie neles para fazer o trabalho;
  • O método mais eficiente e eficaz de transmitir informações para e entre uma equipe de desenvolvimento é através de conversa face a face;
  • Software funcionando é a medida primária de progresso;
  • Os processos ágeis promovem desenvolvimento sustentável. Os patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter um ritmo constante indefinidamente;
  • Contínua atenção à excelência técnica e bom design aumenta a agilidade;
  • Simplicidade — a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado — é essencial;
  • As melhores arquiteturas, requisitos e designs emergem de equipes auto-organizáveis;
  • Em intervalos regulares, a equipe reflete sobre como se tornar mais eficaz e então refina e ajusta seu comportamento de acordo.

Se você nunca trabalhou com metodologias ágeis deve estar ansioso pra colocar em prática! Nos próximos posts falarei sobre as principais caracteríticas do Scrum, os processos que o compõem, os papéis, etc!

 

[Editado] Aqui estão todos os links da série O que é Scrum

Parte 1 – Uma visão geral sobre metodologias ágeis

Parte 2 – Conceitos básicos

 

Introdução ao Scrum

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Sábado passado terminamos a disciplina Processo de desenvolvimento e gerência ágil: SCRUM, ministrada por Maurício Linhares na especialização em Metodologia para Engenharia de Software que estou cursando. Foi a primeira disciplina do curso e me animei pra tirar as teias do blog e escrever uma série de posts sobre Scrum. : ]

É com base nessas aulas que pretendo escrever essa série voltada pra quem deseja conhecer melhor essa metodologia ágil para gerenciamento de projetos que tanto está em evidência atualmente.

Espero que seja útil a alguém mais além de mim e quem quiser discutir à respeito sinta-se à vontade. ;D

 

[Editado] Aqui estão todos os links da série O que é Scrum

Parte 1 – Uma visão geral sobre metodologias ágeis

Parte 2 – Conceitos básicos

 

Da esquerda para a direita Mestre Robson, Eu, Mazinho, Açúcar, Luciana, Mola, Tina, Marivan, Mestre Russo, Coquinho (agachado), Barata e Bené

Oficina de Capoeira com o Mestre Russo

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Da esquerda para a direita Mestre Robson, Eu, Mazinho, Açúcar, Luciana, Mola, Tina, Marivan, Mestre Russo, Coquinho (agachado), Barata e Bené

Hoje encerrou-se a Oficina de Capoeira com o Mestre Russo. Foi um prazer imenso ter recebido esse ícone da capoeira na nossa cidade e compartilhar uma semana de muito suor e boa conversa. Vou sentir falta dessa galera super gente fina que fez essa oficina ser o melhor que podia. Espero que o grupo continue se reunindo e que essa seja mais uma iniciativa no sentido de unir a capoeira na Paraíba, independente de grupo ou camisa.

Muito obrigado a Bené por ter organizado esse evento e ao Mestre Russo que aceitou esse desafio.

Até breve! =D

*Para saber mais da história do Mestre Russo vejam o filme O Zelador

O lado bom da campanha religiosa

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No final do primeiro turno e durante todo o segundo turno das eleições deste ano, tanto em âmbito nacional como aqui na Paraíba, a campanha religiosa tem tomado conta dos noticiários, horários eleitorais e da internet. Mas vale destacar que esse fenômeno não é exclusividade dos brasileiros. Nos Estados Unidos, por exemplo, a situação é muito parecida. Os candidatos ostentam a sua religiosidade (mesmo que apenas temporária, em virtude das eleições) para não perder votos por causa do preconceito em um país predominantemente cristão. Comparo com os EUA pois posso mostrar alguns dados de estudos realizados por lá e as conclusões alcançadas servem para reflexão também para nós do Brasil.

Pois bem, convido você a assistir a seguinte palestra TED de Richard Dawkins (tem legendas em português do Brasil disponíveis). A palestra é mais abrangente do que o tema deste post, a campanha religiosa, mas em determinado momento ela tangencia este tema e os dados apresentados por Dawkins assim como as questões que ele levanta são interessantíssimas. Recomendo fortíssimamente que assista ao vídeo todo.

Dawkins mostra que a maioria esmagadora dos estudos que relacionam religiosidade com nível intelectual apontam para uma relação inversa entre eles, ou seja, em geral quanto maior o nível intelectual menor a chance do indivíduo ser religioso. Um outro estudo, realizado em 1998 por Larson e Witham, questionou o seleto grupo de cientistas que faziam parte da National Academy of Sciences. O resultado foi:

7% declararam-se teístas (acreditavam na existência de um deus ou força superior)
20% declararam-se agnósticos
73% declararam-se ateus

Resultado que corrobora os estudos anteriores, que apontam para uma relação inversamente proporcional entre religiosidade e intelecto. Mas ainda assim, mesmo os maiores estudiosos da sociedade apontando para esse posicionamento, essa não é uma visão aceita dentro da sociedade. Aquele que se mostra ateu é visto como alguém sem moral, sem princípios, indigno de confiança. Tudo fruto única e exclusivamente do preconceito. Por isso candidato nenhum pode declarar-se ateu. No brilhante discurso de Dawkins, ele conclui: “Se estou certo, os mais altos cargos políticos do maior país do mundo são barrados para as pessoas mais qualificadas, a elite intelectual. A menos que eles estejam dispostos a mentir sobre suas crenças. Colocando de forma direta, as oportunidades políticas americanas são fortemente contrárias àqueles que são simultanemaente inteligentes e honestos.”

Vale a reflexão. No Brasil é diferente? Isso está certo? Precisa mudar? Como mudar? A única forma de mudar é vencendo o preconceito. Pra vencer o preconceito temos que nos mostrar à sociedade. A melhor forma de uma pessoa que acha que um ateu é um homem sem princípios, sem escrúpulos, sem moral e ética, mudar de opinião é saber que aquele professor que ela tanto admira por suas atitudes é ateu. É saber que aquele amigo que ela tanto confia é ateu. É ver que os ateus estão por aí e que são pessoas boas. Não são comedores de criancinhas.

E é justamente aí que aparece o lado positivo da campanha religiosa. Diante de tanta asneira sendo vomitada na nossa frente, tantas declarações estapafúrdias e repulsivas, alguns ateus começaram a entender que a chave para acabar com o preconceito é sair do armário. Parabéns a neurocientista Suzana Herculano-Houzel que publicou em seu site que é atéia e se sente descriminada e com isso motivou a publicação deste post. Apareçam, ateus. Vocês são bem vindos.

A Folha e o ateísmo militante

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No dia 10 de outubro de 2010 a Folha de São Paulo publicou um artigo escrito por Frei Betto, amplamente reproduzido por sites na internet, em que negava o boato de que Dilma seria atéia e dizia que os torturadores enfrentados por Dilma na ditadura, esses sim praticavam um “ateísmo militante” ao torturar as pessoas.

Imediatamente, enviei o seguinte e-mail à ouvidoria da Folha de São Paulo:

Manifesto em favor do respeito à liberdade de crença

Olá,

Venho manifestar a minha profunda decepção com a Folha de São Paulo que publicou, no dia 10 de outubro de 2010, o artigo “Dilma e a fé cristã” extremamente ofensivo com relação aos ateístas. Sou ateu convicto e feliz com isso e a bem da verdade pratico mais “dos ensinamentos cristãos” do que muitos dos próprios cristãos que do discurso à ação mantém uma boa distância.

Não é de hoje que a Folha vem se mostrando desrespeitosa com as minorias e desejo realmente que essa falta de ética e de honestidade com a própria profissão de vocês se reflita numa queda cada vez maior desse veículo que já tem sua credibilidade afetada por outros mais episódios vergonhosos. E o que mais um veículo de informação tem que valorizar senão a sua credibilidade?

Para minha surpresa hoje recebi a resposta da ombudsman da Folha, Suzana Singer, em que ela não só repete exatamente a mesma coisa dita por Frei Betto (como que explicando pra um tapado que não entendeu), como se realmente não enxergasse nada ofensivo, como também não menciona em momento algum acreditar na necessidade de retratação para com os ateus.

Caro leitor,

recebemos muitas mensagens com críticas ao artigo de frei Betto.

Conversando com ele, que estava partindo para a Itália na semana passada, disse que com a expressão “ateísmo militante” quis se referir às pessoas que violam os “templos de Deus” que seriam os corpos humanos. Assim, os torturadores seriam ateus militantes porque realizavam essa violação, mesmo se dizendo cristãos. Frei Betto diz que respeita quem é ateu, porque negar a existência de Deus, segundo ele, também é uma posição de fé. O que ele não reconhece (nem respeita) é quem tenta desmoralizar as concepções de fé de alguém.

De qualquer modo, as mensagens foram enviadas a ele e à Redação para conhecimento

att

A falta de informações e a abundância de preconceito à respeito dos ateus me surpreende negativamente a cada dia. Parece que a situação só piora. A desinformação e o preconceito só aumentam. E boa parte dessa culpa se deve à veículos como a Folha de São Paulo que veiculam artigos preconceituosos como esse. O restante da culpa é das pessoas sem senso crítico mesmo que leem e absorvem sem interpretar ou questionar. Mesmo um absurdo desses. Indignado, escrevi o e-mail abaixo para Suzana mas cada vez mais perco as esperanças de que, apesar dessa galera, amanhã há de ser outro dia. Parece que é sempre igual. =/

Suzana,

Você não percebe que o que você acaba de repetir é ofensivo para um ateu? Vou lhe explicar direitinho o quê e o porquê. Ateu é aquele que não acredita na existência de um ser divino, de um criador de todas as coisas. Simplesmente isso.

Você pode ser cristã e pode acreditar que fazer o bem ao próximo, por exemplo, é um princípio cristão. Mas fazer o bem ao próximo antes de ser um princípio cristão é um princípio ético e moral, ou seja, pra fazer o bem não precisa ser cristão. Precisa ter ética, moral, princípios, tudo isso independe de ser cristão ou teísta.

Não conhecia a expressão “ateu militante” mas no meu entendimento, e conhecendo o sentido da palavra ‘ateu’ (como destaquei no primeiro parágrafo), imagino que um ateu militante seja aquele que defenda esse princípio: a não existência de deus. Um torturador não é um ateu militante. Um torturador é uma pessoa sem princípios éticos e morais. E ainda mais, um criminoso. E o que você e Frei Betto fizeram foi isso: equiparar ateus a criminosos.

Você é cristã? Como você se sentiria se eu dissesse que católico militante é aquele que queima vivo a todo aquele que não compartilha de suas crenças? Ou que praticar o cristianismo militante é violar, abusando sexualmente, o corpo (o templo sagrado) das criancinhas desprotegidas? Acredito que você não ia se sentir bem, não é? Talvez até desejasse um pedido de desculpas por isso se eu publicasse isso em um veículo de projeção nacional como a Folha de São Paulo.

Vocês estão espalhando o preconceito contra os ateus, inclusive por compartilharem desse preconceito. Eu sou ateu e sigo aquilo que julgo moralmente correto. Não julgo correto disseminar o preconceito e difamar uma categoria. Seja ela qual for. Resta saber o que vocês, cristãos e cheios de sentimentos nobres à frente da Folha de São Paulo, julgam correto.

Um abraço

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