Archive for julho, 2010

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15 anos do Grupo Zumbi de Cultura Popular

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Zumbi

Zumbi

Já vinha há um bom tempo querendo me reaproximar da capoeira e até comecei a treinar no tempo em que cursava engenharia civil mas não me empolguei muito e acabei me distanciando novamente. Até que recentemente Aron me convidou a conhecer um projeto cultural do qual fazia parte e que, nas segundas, terças e quartas, reunia-se no ateliê de Nai pra jogar Capoeira. Logo me identifiquei com a filosofia do grupo, que busca entre outras coisas o resgate da capoeira como expressão cultural ao invés do entendimento simplesmente como forma de luta; a valorização das tradições e dos antigos mestres; e a confraternização entre os diferentes grupos de capoeira. É o Grupo Zumbi de Cultura Popular, criado por Benedito Santos, o Bené.

O Grupo está completando 15 anos de atuação na Paraíba e, neste dia 7 de agosto (sábado), celebra a data no Ateliê Multicultural Elioenai Gomes. A comemoração terá início às 19:30 h e contará com:

  • exibição do documentário Quilombos da Bahia, de Antônio Olavo;
  • exibição do documentário Aruanda, de Linduarte Noronha;
  • entrega de 15 troféus a personalidades da cultura popular e da educação que de uma maneira ou de outra contribuíram com o Grupo nesses 15 anos;
  • muito forró com a banda Os Três do Forró, formada por remanescentes da Comunidade Quilombola Serra do Talhado, onde o Grupo Zumbi de Cultura Popular também desenvolve um trabalho.

Convido todos a celebrar junto conosco e conhecer um pouco o trabalho desse grupo que tanto faz pela valorização da cultura popular e pelo resgate de nossas raízes. Os ingressos custam R$ 10 inteira e R$ 5 para estudantes e comerciários e podem ser adquiridos lá mesmo no ateliê ou diretamente com Bené (83) 8822-4866.

Abaixo, reproduzo o cartaz do evento e o texto de divulgação da própria coordenação do Grupo:

GRUPO ZUMBI DE CULTURA POPULAR

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ATELIÊ  MULTICULTURAL ELIOENAI GOMES

Rua Ladeira da Borborema, 101 – Centro

João Pessoa – PB

3221.9668/8822.4866

GRUPO COMEMORA 15 ANOS

Comemorando os seus quinze anos de idade, o Grupo Zumbi de Cultura Popular, trará no próximo Sábado dia 07 de Agosto de 2010, no Ateliê Multicultural Elioenai Gomes, os Três do Forró, grupo formado por remanescentes da Comunidade Quilombola Serra do Talhado, em Santa Luzia – PB.

Acreditamos que a consciência negra, assim como a capoeira, são instrumentos de amor, maldade, luta e disfarce; mandinga, malicia e malandragem; calma, violência, lealdade e falsidade; ritual, música e criatividade; fé, segurança, harmonia e agilidade; história, filosofia e liberdade; poesia, folclore, coreografia e arte.

Então, em nome dessa busca de consciência, brindamos a todos nesses 15 anos do Grupo Zumbi de Cultura popular e junto com o Ateliê Multicultural Elioenai Gomes, situado na Rua Ladeira da Borborema, 101 – centro construirmos uma idéia fixa e reprodutiva dessas ações nos próximos 15 anos de desafios que virão pela frente, desafios que todo jovem bem aventurado como o Grupo Zumbi de Cultura Popular gostaria de ter.

Para brindar os presentes, teremos a partir das 19h30min à exibição dos documentários Quilombos da Bahia e Aruanda; também a entrega de 15 troféus a personalidades da cultura popular e da educação e muito forró!

Participem valorizar sua cultura é tudo de bom!

A coordenação

A Onda

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Quantos filmes você já assistiu sobre o Holocausto? Provavelmente alguns. Felizmente existem muitas obras que registram essa época sombria da nossa história. Eu mesmo costumava dizer que era sempre bom que assistíssemos a filmes assim, pra que não fossemos capazes de repetir tais atrocidades. Mas será mesmo que conhecer a história é o suficiente pra que não sejam repetidos os mesmos erros? Como se consegue o apoio de uma nação mesmo quando se quer cometer crimes contra a humanidade? A Onda (Die Welle) investiga a raíz de uma questão que está na base não só do regime Nazista como de vários regimes que cometem atrocidades ainda hoje.

O plano inicial nos apresenta a Rainer Wenger (Jürgen Vogel), um professor de uma escola alemã que vai pra o trabalho ouvindo Rock ‘n’ Roll High School no último volume. A empolgação de Wenger não é gratuita (tampouco o tema ouvido no carro), hoje começam as disciplinas semanais e ele ministraria a disciplina de Anarquia. MinistrarIA uma vez que outro professor (do tipo realmente conservador) pegou a disciplina em seu lugar, justamente temendo a identificação dos alunos com o tema uma vez que Wenger era querido pelos alunos e daria a disciplina com paixão, por se identificar com a temática.

Desmotivado, Wenger fica com a turma de Autocracia, decidido a apenas “enganar” durante a semana e ambos, alunos e professor, verem-se livres daquilo. Entretanto, ao perceber como a turma considera impossível a idéia de um regime autocrático na Alemanha de hoje ele traça planos diferentes para o resto da semana: mostrar na prática que é possível!

Aos poucos, o professor vai inserindo os elementos de um regime autocrático na turma: uma figura modelo, disciplina como forma de controle social, uma identidade para o grupo (uniforme, nome, símbolo, cumprimento próprio), e por aí vai. A maior parte dos alunos vai gostando da idéia. Aqueles que ficavam à margem antes agora sentem-se parte do grupo, sentem-se à vontade para participar das discussões, e o grupo começa a ganhar mais união e mais adeptos. Aqueles que discordam do todo são excluídos do convívio e impedidos de participar. O filme, aliás, retrata os dissidentes como peças fundamentais para o desmantelamento do regime autocrático (repare como Karo usa sempre vermelho).

Nesse ambiente, sem que os seguidores da onda percebam, são conduzidos pelo professor Wenger tal qual um regime autocrático. Estava provado o que Wenger queria. Contudo, cego pelo poder que tinha sobre o grupo, Wenger continua com a situação até o limite, quando colocando um aluno dissidente como ameaça à continuidade do movimento, consegue mostrar à turma que eles seriam capazes de apoiar um ato extremo contra esse aluno simplesmente pelo medo de perder aquilo que eles valorizavam tanto naquele instante: A Onda. Só depois disso ele sai do papel de líder do movimento e volta para o papel de professor mostrando aos alunos o que acabara de acontecer ali. Entretanto, nem todos compreendem o caráter pedagógico do experimento (e nesse momento o filme insere um final mais dramático, para chocar mais o espectador).

Você pode estar pensando: “Sim, mas isso é um filme. Não significa que pode acontecer.”. Aí é que você se engana! Aconteceu. O filme é a adaptação de um livro que conta a história do experimento real conhecido como The Third Wave, conduzido pelo professor Ron Jones, em 1967 na California. E, claro, acontece na vida real, não apenas em experimentos.

O filme chama atenção para o fato de que nem sempre a população se dá conta de que está sob um regime autocrático. Quando se olha para a Venezuela de Chávez é bem fácil apontar um regime autocrático mas e os Estados Unidos? Será que tá muito distante disso? Sua realidade, leitor, é muito distante disso? Será que existe um grupo de pessoas querendo impor sua vontade sobre nós? Será que somos levados a viver de uma forma consumista, superficial, materialista? Será que somos conduzidos a não pensar? Qual é o mais perigoso? O explícito ou o camuflado? A Onda nos dá a resposta. Em uma festa (por volta dos oito minutos de filme), Dennis (repare que o personagem leva o nome do diretor) trava o seguinte diálogo com um amigo:

- Martin, diga-me, ok? Contra o quê realmente se deve rebelar hoje em dia? Hoje não tem mais importância, certo? Todos já tem só os seus… seus prazeres na cabeça. O que falta à nossa geração… é um objetivo comum, que nos una a todos.
- Este é o espírito-da-época, olhe em volta de você. A pessoa mais procurada no Google é quem? Paris do-caralho Hilton.
É o diretor Dennis Gansel nos alertando diretamente: Ei, você, olhe ao seu redor! Existe um jogo! Será que você faz parte do jogo? Será que você está sendo levado pela onda?
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