Archive for maio, 2010
81? 18!
3Pensando agora não consigo me lembrar de outro modo. E olhe que faço esforço tremendo procurando em cada lembrança distante e recente! Não é que eu tenha apenas uma mesma imagem na mente. Não! Me vem várias imagens à cabeça. Situações diversas. Mas em todas elas ele traz um sorriso estampado no rosto… Desconfio que o sorriso compunha o seu rosto tanto quanto os seus olhos, ou o nariz.
Ano após ano, completava sempre dezoito. Sempre com o sorriso.
Há uns dois anos, quando foi a vez da minha avó Cássia, tirou seu Gol verde da garagem e veio bater aqui em João Pessoa. Imagina!? Enfrentou sozinho o trânsito selvagem do Recife, a BR-101 em obras, e, com toda a dificuldade que as marcas no seu velho Gol indicavam, estava aqui com a gente no momento derradeiro. Sempre com o sorriso. Sempre com dezoito.
Assim foi também há menos de dois meses, na festa dos 90 de tia Áurea. Ficou feliz de saber que agora eu era funcionário público. Elogiou minha mãe, que de todas as filhas de meu avô era, sem dúvida, a mais bonita. Dessa vez, teceu igual elogio à minha irmã. Relembramos a história do tostão achado na rua, que virou alguns côcos, que viraram cocadas, que viraram sustento pra a família ainda quando um meninote. Uma história admirável dentre tantas outras! Registramos também naquela ocasião o quão injustas eram as pessoas ao compará-lo com Ariano. Sem dúvida alguma ele era muito mais bonito! Demos boas risadas e conversamos a valer na festa. Felizmente. Ele sempre com o sorriso. Sempre com dezoito.
Domingo encontrei com ele novamente. Desta vez não pudemos conversar. Apenas cheguei do lado dele e desejei, ao menos por um dia, enxergar o mundo através daqueles olhos. Ver a beleza que ele via no mundo e que o fazia sorrir ininterruptamente. Foi uma noite longa. Ouvi sobre como tudo tinha sido tão rápido, ouvi outras tantas histórias admiráveis de tio Arnaldo contadas por Néia, Fred e minha mãe. Com a manhã chegaram mais amigos e parentes. Poucas palavras mesmo se tratando dos Correia Lima. Poucos sorrisos mesmo se tratando dos Lucena. Todos inertes diante do destino que nos aguarda. Mesmo os mais queridos como tio Arnaldo não podem escapar. Por mais que queiramos. Alguns acreditam que foi um presente que a mamãe Lucena recebeu neste domingo. Eu sei que vou lembrar dele sempre. Sempre com o sorriso. Sempre com dezoito.